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Abril 15th, 2011

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O tempo zerou. A campainha não soou. O tempo está suspenso. O suspense do que poderia ter ocorrido. Afinal, o jogo já estava ganho para as pretas, a vantagem de peças por si só já definia o embate a meu favor. Imagino que o adversário deva ter ficado com um peão na mão e com a angústia de soltá-lo uma casa mais à frente. O reloginho ainda está parado, no vermelho. Penso em perguntar pelo chat o que houve. Melhor esperar algum comunicado, uma observação, um elogio, um cumprimento. Meus olhos ainda estão vidrados no tempo zerado quando, de súbito, ocorre um movimento e a sobrevida de dois segundos.

Mergulhado na soberba, demoro a me reestabelecer, voltar à tona e dar mais uma braçada nas águas da prepotência. As respostas do adversário às minhas jogadas são muito rápidas; estou vacilante. O jogo estava ganho, certo?! Agora ele já possui folgados quinze segundos. O tempo está contra mim e sinto o suor escorrer pelas axilas. Sacrifico o bispo e já não tenho mais vantagem alguma. Movimentos rápidos, mas descoordenados, expõe meu rei. Por que a campainha não tocou aquela hora? Como ainda há jogo? Uma nova rainha branca surge no tabuleiro! Xeque-mate.

Em seu último dia de registro Montagna no Internet Xadrez Clube, Alexandre utilizou-se de suas paranormalidades para ensinar-me que, por melhor que eu seja, por mais que eu valha, devo ser mais humilde e sempre respeitar o tempo presente.

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